então eu estava
sentada no rebordo de lioz da
igreja de santo estêvão
como nos fados e
estava com fadistas
e o menino bonito da camisa
de outra vida
afinava a guitarra que foi portuguesa noutra vida
então o menino da viola estava a beber super bock talvez fosse sagres
e os fadistas levantaram-se e cantaram
fado
o céu caiu lá de cima por saber que ninguém queria saber
dele
então eu tinha os pulmões cheios do fumo da erva
e de estrelas também porque o céu caiu lá de cima
dentro do meu peito saiam cordas de lâmpadas de natal
fora do meu peito a cidade gritava
e os estrangeiros foram parando
eram três da manhã e eles riam e choravam
os fadistas gritavam
eu grito agora
vês
nem precisei de pensar em ti hoje
nem precisei de escrever agora sobre o meu medo de não te ter mais nas mãos
nem precisei de dizer que o teu tempo me apagou as estrelas caídas
nem preciso vês
o fadista agora chamou
a estrangeira e disse larga o telemóvel
que a vida está a acontecer aqui.
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
domingo, 25 de agosto de 2019
terça-feira, 20 de agosto de 2019
já não tenho idade para nada, muito menos para isto, fazes a idade escorrer-me pelos cabelos há quase quinze anos. há quase quinze anos que me tiraste cada grão de areia desta praia e cada grama de sal deste mar e cada aresta morna destas rochas. tiraste ou atiraste, nem sei, eram nossos, ainda são? e sempre que aqui venho penso que invocas os deuses em mim. nem sequer sei o que isto é mas também sei que é a mais pura das verdades, não chegando ainda a ser amor, não agora, mas já foi ainda é? continuas a ser a única constante no fundo do meu estômago, o único que fez dele o que quis, com tantas voltas que lhe deu, sem querer saber se eu tinha outro em casa, eras assim um arrastão de vento quente, ainda és? ainda és porque aqui tudo cheira a ti, tudo sabe a ti, tudo soa aos dedos das tuas mãos nas minhas, às escondidas, às revelias da vida. quero-te na minha cama, ainda queres? hoje acordei e amarrei os braços atrás das costas porque foi um esforço titânico não te enviar, depois de cinco anos, olá, onde é que estás?
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Imagino que é de noite e que estamos deitados no chão da cidade que estremece em sussurros.
Imagino a ausência de palavras que nos fica pela saliva, fica a dançar-nos na beira dos lábios quentes.
Imagino os nossos olhos petrificados pelas estrelas, o ar congelado em cima de nós, sentado em cima do nosso peito. Singular.
Imagino que me estás a escrever dentro de ti. Estás a voar nos meus cabelos espalhados pela calçada, no cheiro que trago ao pescoço, na minha boca tão pronta que nem a pintei de sangue, nos estilhaços que sou e que tento colar com poemas. Estás a ver-me fumar de olhos fechados e a saber que só paro de me atirar quando o meu corpo chegar às rochas, quando estiver tão quebrado como eu. Estás a ver-me cair e cais comigo, caímos juntos, meu bem, caímos sempre juntos.
Imagino isto porque imagino que ao teu lado, a tocar-te ao de leve na pele, ao de leve, ao de leve, eu faço o mesmo, imagino. Escrevo-te dentro de mim sempre que te vejo, sempre que caio para dentro dos teus olhos e caio mais depressa e tu cais comigo, caímos juntos, meu bem, caímos sempre juntos.
terça-feira, 25 de junho de 2019
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
tenho o coração cheio de penas. se calhar não tenho coração. mas tenho dedos e esses souberam de cor um maço de cigarros fumados ao tutano. se calhar já não quero estar aqui.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
domingo, 18 de setembro de 2016
segunda-feira, 11 de julho de 2016
mas não é como antes, agora. é pior, mesmo quando eu achava que não me podia sufocar mais no sarro da noite. estava a salvo, agora. adormecia na tua pele e não sonhava cor-de-rosa mas também não sonhava nada. era o infinito, mas não é como antes, agora. afinal a tua pele queima e eu já não quero voltar. hoje durmo sozinha.