sábado, 7 de julho de 2012
Tenho um fraquinho...
... por casamentos.
Quem me conhece sabe que eu adoro Pamela Love. E depois de umas semanas a deslumbrar-me com as fotos do casamento, achei por bem fazer delas minhas e colocá-las aqui no meu cantinho.
Não sei se é por ser ela, se é pelas coroas de flores - que sempre cairam nas minhas graças - ou pela perfeição da simplicidade, da relva, da madeira, da luz, do regresso à base ou mesmo apenas pela felicidade genuina e palpável, se estas imagens fossem de papel já estariam gastas pelos meus olhos.
É, tenho mesmo um fraquinho por casamentos. Pela promessa de que os pesadelos serão aligeirados por um abraço e as gargalhadas não serão mais solitárias, de um ombro que cessa as lágrimas ou um olhar que compreende tanto quanto a alma. E pelo vestido, também gosto do vestido.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Lisboa também acorda.
Lisboa hoje acordou de mau humor. Levantou-se, obrigada pela rotina de todos os dias, pelas centenas de anos que já lhe pesam nas costas.
Levantou-se para ver que o sol não despertou e julho a esperava com um casaco na mão. Levantou-se para acordar os indianos que abrem as bancas e os turistas que arrasam a calçada com as rodas das malas, e o céu com os gatilhos das máquinas. Levantou-se para acordar o vendedor de supercola 3 da Praça da Figueira, para encher de compras os sacos demasiado pesados para as velhotas, para aumentar o volume dos nossos pensamentos, que nos alheiam às milhares de vidas que se cruzam connosco, enquanto estamos sentados num banco do Rossio às 8horas da manhã. Lisboa acordou de mau humor. Ou então fui só eu.
domingo, 24 de junho de 2012
Dias contados
E não penses que o dia me passou em vão. Aliás, como não passou nenhum dos 915 que se contam desde o primeiro.
É que sabes que não sou boa com matemática, mas os números relativizam o que só deve ser exaltado e sexta-feira não foi maior que quaisquer outras 24horas dos últimos dois anos e meio. Quanto muito, foi mais pequeno que ontem e hoje.
E não me leves a mal a falta de trocadilhos e floreados, mas sabes que faço da pseudo-eloquência literária o pão nosso de cada dia e começo a pensar que dizer 5 palavras quando poderia dizer só uma apenas me complica o discurso. E nós, no meio de tanta complicação, somos tão fáceis, que não devemos entrar em turbilhões de segundos significados quando, no fim do dia (e no início, e no meio, e em qualquer momento) só quero é dizer que te amo.
É que sabes que não sou boa com matemática, mas os números relativizam o que só deve ser exaltado e sexta-feira não foi maior que quaisquer outras 24horas dos últimos dois anos e meio. Quanto muito, foi mais pequeno que ontem e hoje.
E não me leves a mal a falta de trocadilhos e floreados, mas sabes que faço da pseudo-eloquência literária o pão nosso de cada dia e começo a pensar que dizer 5 palavras quando poderia dizer só uma apenas me complica o discurso. E nós, no meio de tanta complicação, somos tão fáceis, que não devemos entrar em turbilhões de segundos significados quando, no fim do dia (e no início, e no meio, e em qualquer momento) só quero é dizer que te amo.
domingo, 17 de junho de 2012
Dica de nutrição #3
Nachos mergulhados em chilli; caril; bruschettas de tomate e alho francês. E Corona, claro. Os dias de jogo sabem a fritos decadentes e petiscos prolongados; sabem a vitória e ao mundo inteiro. Sabem a quartos de final (só não houve sumo de laranja - essa, espremeram-na eles).
(dou por mim a falar mais de bola que de Moda: isto é grave.)
Coruche
Não me consigo decidir se lhe chamo intocada pelos anos, ou se esta reticência em aceitar a evolução é apenas uma forma de a ligar às memórias de infância.
É que Coruche continua deitada à beira do Sorraia, continua preguiçosamente guardada pelas sete pontes, continua com o bacalhau à Farnel, continua com o doce da casa, continua com o jardim, continua com o Coreto onde me sentava para tirar fotos, com os sapatinhos de verniz, as duas trancinhas e o vestido rosa das bolinhas brancas. Coruche continua intocada pelas minhas memórias mas, ao longe, ouvem-se as batidas electrónicas de um bar à beira-rio, os restaurantes alargam-se em esplanadas com música ao vivo que primam por interpretações (ainda mais) pobres do "Ai se eu te pego" - sim, há pior que o original; as jovens já se passeiam com Jeffrey Campbell e as donas de casa já lêem a Pipoca e a Mini-saia.
Mas ao lado da miuda com as odiosas e matrafonas botas da moda - or so they think so - desfila um jovem forcado, orgulhoso da promoção máxima. E as donas de casa continuam a esquecer a individualidade, a ignorar os talentos e a dedicar-se a servir um prato quente ao marido que chega a casa; e os trabalhadores continuam a ser contratados, não conhecendo o conceito de recibos verdes; e os dias parecem ter mais horas que na capital; e as estrelas continuam a brilhar mais no céu imaculado que não rivaliza com os incómodos faróis da civilização.
domingo, 3 de junho de 2012
Andar de bicicleta
Quando se faz o que se ama - aquilo que preenche e realiza - vão-se descobrindo outras necessidades por colmatar, por satisfazer, por acalmar; outras inquietações que precisam de um Xanax para não se tornarem barulhentas.
A minha, é escrever sobre cidades.
(O problema é que não saio do mesmo sitio, senão isto seria um blog sobre viagens, e não sobre queixumes, sapatos e dicas muito pouco úteis sobre nutrição).
É que eu apaixono-me por cidades. E é tão fácil perder-me de amores por elas quanto aprender a andar de bicicleta - e não, não escrevo isto com conhecimento de causa, mas isso fica para outra história. Gosto dos solavancos do início, do medo, da insegurança. Até gosto das quedas ocasionais, de esfolar os joelhos e ficar com as mãos a arder, de fazer festinhas no asfalto. E gosto de começar a planar. De conhecer os buracos e contorná-los, de conhecer os planaltos e abraçá-los. De saltar nas lombas e descer as avenidas, de sentir o vento e ver a paisagem à velocidade da luz. É por isso que poderia escrever sem fim sobre os telhados de Paris, a energia pulsante de Barcelona, a tristeza de Luanda, da incongruência do Mussulo e da decadência gostosa de Lisboa.
Talvez o faça.
domingo, 27 de maio de 2012
A bailarina
Quando a vi, pensei que era um afia.
Depois, pensei que tivesse qualquer coisa dentro, por isso abanei-a.
Depois, em tom de explicação, ele rodou a manivela e disse "É uma caixa de música". Ah! É que eu nunca tinha visto nenhuma. Só em filmes. E pensei que fossem austeras e antigas, e não um pedaço de cartão frágil, quase descartável. Mas a música encantou-me, eu soube que tinha de ser minha, e ela ofereceu-ma (claro).
Acho que, só quando aterrei em casa, desempacotei tudo e voltei à crua realidade, é que a ouvi com atenção - com aquele desejo de que os acordes me levassem de volta a Barcelona. Mas não. Não fosse ter aquele "Gaudi" escrito de lado, qual mina de turistas, eu não diria que a tinha trazido da cidade vibrante, mas antes de uma cave antiga, melancólica, e profundamente triste. É isso - triste. A música parte o coração, semeia lágrimas e colhe corações partidos. Conta a história de uma bailarina condenada às voltas repetitivas da caixa de joias daquela senhora de cara enrugada, que se adorna em pérolas e casacos de pele, que risca assertivamente os olhos com lápis negro e esborrata os lábios com o vermelho de outro século. Que se mascara, todos os dias, de um tempo que já foi, para se sentar na poltrona e afogar os sorrisos das memórias no alcool mais bafiento da dispensa vazia.
E, não sei porquê, não consigo deixar de dar à manivela. E a bailarina não pára de dançar.
domingo, 13 de maio de 2012
No Reservations
É quase um crime como não consigo transferir para as palavras o quanto estou embevecida pelo episódio do No Reservations sobre Lisboa.
Mas como é com palavras que ganho a vida, cá estou eu a tentar.
O meu amor por Lisboa roça o absurdamente inexplicável, quase como aquelas paixões doentes cujas feridas físicas e emocionais - sim, estou de ti, calçada, e de todos os pares de sapatos que já molestaste - não conseguem ver um fim no horizonte. E, hoje, cresceu.
Porque a frontalidade quase cruel de Bordain não lhe permitiria embelezar uma cidade que já não tivesse "bela" inscrita no DNA, e, por mais que tenham mostrado um povo profundamente idoso e melancólico (bom... é isso que somos), voltei a apaixonar-me por Lisboa.
Fiquei com vontade de me embebedar com ginginha e subir o Chiado aos zigue-zagues, comer uma bifana cheia de gordura e ouvir fado embriagado pela dor de um tempo que não chegámos a viver. Fiquei com saudades de ouvir a voz desconcertante da Carminho e sentir a alma lisboeta pulsar em cada nota da guitarra triste, de me deitar na relva dos jardins de Belém ou de ver os barcos partir e chegar, sem fazer absolutamente nada da vida que não fosse sorrir.
E tenho pena que não tenham mostrado o movimento dos nossos museus ou o Bairro à noite, a gente gira do Príncipe Real ou uma ou outra pessoa jovem. Aqui e ali, somos novos e giros, e Lisboa também é nossa.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Te quiero, Barcelona
Começo a achar que fiz duas viagens numa só.
Na primeira, apaixonei-me por Barcelona. Pelo Born e pelo Barri Gótic, pelas pessoas com pinta a passear os cães, pelas Vespas e bicicletas, pelo coolness palpável, pela beleza, pelo sotaque, pelo cheiro, pelas varandas com roupa, pelas alpercatas, pela paella e pela sangria que nem consigo beber, pelo sol de primavera, pelo fervilhar de uma cidade que respira pureza. E eu quero fazer parte dela.
E na segunda, adjeta, paralela, consequente e impulsionante, pela companhia. Pelas madrugadas com conversas de tudo e de nada, pelos risos intermináveis e sorrisos íntimos, pela confiança desmesurada numa amizade que se provou ser para ficar. E também pelos arrufos e perdões, pelas perdas e recuperações, pelos abraços e momentos que ficam mais marcados que a tal tatuagem que não cheguei a fazer.
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