domingo, 2 de setembro de 2012
Feiras de velharias
Velhas. Cheias de pó. Cheias de histórias. Cheias de vida. Pedacinhos de passado que, aqui tão perto, nos podem vir parar às mãos. E nós, humildemente, podemos ser mais um personagem na sua estória, até os passarmos ao próximo. Podemos ter um papel no destino de objectos que, não raras vezes, falam tanto sem dizer nada.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Isto. Só quero isto.
A manhã preguiçosa que desvia a escuridão à velocidade languida de quem não tem pressa. Os raios frios do sol incandescente que serve só para dar circunstancialidade aos ponteiros do relógio, deliberadamente ignorados pela consciência de que hoje não há mais nada.
Só isto.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Dica de nutrição #6
Ovos mexidos com sumo de lima, gengibre e pimenta.
É sexta-feira, yeah! E não, este não foi o meu jantar. Já está mais que provado que sou uma miúda de alimento e um ovo mexido não puxa carroça. Mas tinha mesmo de experimentar isto, e está mais que aprovado: o meu verão ainda vai ver ovos com sumo de lima muitas vezes.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Interregnos
Limpar totalmente o mapa mental de qualquer poluíção ou ruído laboral é difícil. Eu diria até que é impossível, pelo menos, quando a paixão pelo que e faz é desarmante.
Mas há que tentar. Há que fugir para onde a civilização se esqueceu de lançar a evolução, para onde o telemóvel tem pouca rede, para onde a internet é um luxo quase inacessível (ok, não fui o caso, but you get the point).
E, mesmo que psicologicamente agonizante, uma fuga de interregno - em que o sol e o vento se sobrepuseram ao cinzento e ar condicionado - não deve, nem pode, sob qualquer circunstância, ser recusada.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
E como eu gosto de vocês
E de férias. E de comer - eu gosto mesmo de comer. E nem a chuva de agosto me esmorece o entusiasmo da boa companhia, aquela que se quer repetida, vezes sem conta, com ou sem alterações da fórmula nuclear.
[E a tosta de frango também ajuda. E mesmo o sumo de melancia - aquele que é água com açúcar - parece ser o topping perfeito de uma tarde que não precisava de mais nada. Bom, se calhar de um bocadinho de sol, mas hey, não vamos pedir demais.]
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Dias demasiado bons
O problema de dias demasiado bons é que o tempo insiste em tornar-se num inimigo, ou, então, em imitar o Bolt e correr como se a vida dependesse disso. O problema de dias demasiado bons é que existem para dar lugar à desilusão do dia a seguir, que se deita com um sorriso de escárnio e promessa de curva descendente.
Mas a vantagem dos dias demasiado bons é que são para sempre.
P.S.: Gosto mesmo de pequenos-almoços de hotel.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Há imagens que não precisam de palavras
Mas as minhas palavras precisavam desta imagem.
Eu precisava desta imagem. Quase tanto como da eloquência que procuro desesperadamente para não entrar em redundâncias descritivas.
Eu precisava desta imagem porque simboliza o Santo Graal, a ambição de algo maior, a harmonia de um passo certo com uma escolha ainda mais acertada.
Eu precisava desta imagem tanto quanto precisava dos pumps. Do perfecto. Das calças que se situam entre o boyfriend e as mom jeans. Do andar tão confiante que se torna desajeitado. Da imortalidade de um flash que rapta para a eternidade o retrato de uma geração que não precisa de Alta-Costura para ter Moda no sangue.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Home is where your heart is
"Éramos jovens e apaixonados". Pela vida, pela rotina inconsciente, pela rápida passagem dos dias que não tinham fim. Apaixonados por nós e pelo nosso umbigo, por um ego que nos aconchegava à noite, por um mundo de promessas promissoras e futuros distantes. Apaixonados pelo Baleal, pela fonte da nossa juventude, pelos amigos de ocasião e por aqueles que o são em todas as estações do ano. Apaixonados pelas paixões de verão, pelas ondas bravias, pelas árvores à frente da minha casa, pelos pães com chouriço e pelo Bar da Ilha. E, agora, de regresso, apaixonamo-nos por um passado que ficou lá atrás, na melancolia dos anos que pareciam tão distantes e agora já passaram. E continuamos, os putos e as miudas, a rir da infantilidade com o saudosismo tão português, envergonhados pelas nossas inconsequências mas com o coração apertado pela distância que se sentou comodamente entre o agora e o tempo em que "éramos jovens e apaixonados".
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