Às vezes, é tão simples quanto isto.
Outras vezes, é tão complicado quanto isto.
As metamorfoses do estilo são tantas quanto quem se veste. E pode ser uma parisiense, embrulhada nas asas de corvo; ou uma nova-iorquina, que exibe a cauda de pavão.
Pode ser isso tudo, e ainda existir Moda, ainda existirem desfiles, ainda existirem coleções.
Porque as roupas são feitas para ser vestidas, compradas, usadas, deitadas fora. São feitas para ser exibidas, misturadas, mostradas e, quiçá, fotografadas.
Mas a arte de vestir bem, aquela que se perde cada vez mais no tal circo mediático de que se fala
aqui, perde-se no ruído visual, de tantos wannabe's que se atropelam nas escadarias do Lincoln Center - ou do Terreiro do Paço. Mas, mesmo assim, acredito piamente que ainda há quem se vista para se ver, e não para ser visto. Quem brinque com os padrões porque acordou bem disposto ou quem recorra ao negro porque é a sua zona de conforto. Acredito que nem todos se vestem para os flashes, que nem todos optam pela réplica fácil da passerelle, que nem todos são produtos sem expressão de uma sociedade oca que sonha com a fama e almoços grátis.
E enquanto eu acreditar nisso, que venha o circo. Eu continuo a aplaudir os palhaços.