quinta-feira, 27 de junho de 2013

A Margem Sul é um deserto?


Mário Lino claramente não conhecia o senhor Tony.
Um pequeno império de tudo o que é comida que faz mal às ancas e bem à alma ocupa quase uma rua inteira da Caparica e, no entanto, continua um segredo bem guardado de um sol que os lisboetas só vêm útil para nadar e apanhar um escaldão.
Talvez seja melhor assim.
Talvez seja melhor que os hamburgueres que não chegam a 4 euros mantenham o pão tostado e a carne a saber a carne, o ovo a cavalo e a alface fresca, os sumos naturais feitos de fruta a sério, a apresentação despreocupada que denuncia que a febre gourmet ainda não chegou por aquelas bandas (e ainda bem). Talvez seja melhor que os quatro cantos do mundo não ouçam sobre o molho do bife do Tony's, onde as batatas fritas ficam a nadar, ou que não se percam na comida italiana (aportuguesada, claro está), nem nos fritos bem à moda americana.
Talvez seja melhor que a margem sul continue a parecer um deserto.

  


(a sobremesa comeu-se à parte, mas não era boa o suficiente para merecer menção honrosa)




One woman's trash is another woman's treasure



To flea or not to flea, essa é a questão que nem se deveria colocar.
Feiras, mercados, flea markets, vendas de rua, vendas de garagem, compras de ocasião. Seja uma viagem preparada ou um desdes mercaditos que nos surpreendem num dia de primavera, difícil é não desembolsar meia dúzia de tostões por um tesouro que já fez por alguém aquilo que está prestes a fazer por nós: história.












Lisboa é (sempre) linda


Lisboa é sempre linda.
Mesmo quando não é junho.
Mesmo quando não há noite de 12 nem dia de 13.
Mesmo quando não cheira a sardinhas e as ruas não estão habitadas de luzes; mesmo quando as crianças não marcham e Alfama é só Alfama.
Lisboa é linda mesmo quando está vazia, mesmo quando não tem quadras, mesmo quando não se ouve música popular.
Mesmo sem manjericos e Santo António, sem foliões nem apaixonados.
Lisboa é linda.






  





  




terça-feira, 18 de junho de 2013

O preço das coisas

Há coisas que saem baratas.
Estava aqui a pensar quanto custa - em moeda - uma festa de anos, e dei por mim a pôr na lista de compras os "obrigadas", o trabalho de equipa, os sorrisos (que piroseira, eu sei) e as danças, as conversas e as partilhas.
E, por muito lamechas que isto possa parecer - as gajas ainda têm direito a ser lamechas, de quando em vez - dias como estes, por maior que seja o investimento, saem uma pechincha. As gajas também gostam de pechinchas.