(foi preciso deixar passar uns bons pares de dias para não tratar este assunto com saudosismos demais)
As Berlengas.
Passei 14 anos a olhá-las de frente até me resolver a fazer delas mais que o horizonte.
Às 11h30 distribuíam-nos sacos de plástico pretos, para o enjoo, como se não fosse mais prático (e, quiçá, menos vergonhoso) inclinarmo-nos borda fora no momento de fazer das tripas coração. Infelizmente, a viagem foi curta e sem eventos, acompanhada pelos murmúrios excitados dos turistas alemães que se fascinavam com o mar alto.
O céu cinzento não abonava ao cenário idílico, mas mesmo naquela luz manhosa o paraíso fazia justiça às lendas. As arribas rasgadas, as natureza em cru, a água gelada. Não vou falar nas gaivotas - quero que esta história tenha um final feliz.
E se ainda há algum pedacinho de terra em que a mão do Homem só se sente devagarinho, é aqui. Aqui é tudo devagarinho. O andar, o falar, o rir. O tempo, a temperatura, a mudança. Só não vem devagarinho a vontade de voltar.