Paris é a Meca da comida.
Peço desculpa se feri susceptibilidades com a minha ignorância culinária e geográfica, mas Paris é um orgasmo de sabores.
Para começar, tudo o que envolva sotaque francófono soa gourmet. Até merde.
Mas avant, que se faz tarde.
Os preços podem ser estupidamente elevados mas, na maioria dos casos, fazem-se valer a cada cêntimo. Do chocolate quente da Angelina (em que os oito euros enchem duas chávenas) à sopa de cebola servida em cada esquina, ter pedacinhos de Paris no estômago bate aos pontos uma barriga cheia de Big Macs e Torre Eiffel.
E mesmo que se deambule por territórios italianos, La pizzeria di Rebelatto tem a melhor pizza Margherita que as minhas papilas gustativas já tiveram o prazer de conhecer, a um preço que se tornou rapidamente BFF da carteira.
Mas, talvez mais do que o palato, é a filosofia francesa que traz uma lufada de ar fresco à cozinha. A comida não é combustível, não é aquecedor, não é um pretexto. É um prazer, uma celebração, um culto. Não nos encostamos ao balcão a comer uma fatia de pão com queijo, já com um pé na saída porque a vida está lá fora. Em Paris, vê-se a vida passar das esplanadas das brasseries, com um copo de vinho meio bebido. Adia-se o mundo para depois. Come-se pouco, devagar, com um método que se guia só e apenas pela satisfação do desejo.
A tudo isto, junta-se a presença constante da Nutella (barrada entre um crepe e fatias de banana, à meia-noite no Trocadéro), e temos um felizes para sempre.
Eu e Paris.
(quanto à batalha Pierre Hermé vs. Ladurée, os primeiros ganham em sabor, os segundos em textura. Gosto de empates assim)