segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Paris, mon gourmet



Paris é a Meca da comida.
Peço desculpa se feri susceptibilidades com a minha ignorância culinária e geográfica, mas Paris é um orgasmo de sabores.
Para começar, tudo o que envolva sotaque francófono soa gourmet. Até merde

Mas avant, que se faz tarde.

Os preços podem ser estupidamente elevados mas, na maioria dos casos, fazem-se valer a cada cêntimo. Do chocolate quente da Angelina (em que os oito euros enchem duas chávenas) à sopa de cebola servida em cada esquina, ter pedacinhos de Paris no estômago bate aos pontos uma barriga cheia de Big Macs e Torre Eiffel.

E mesmo que se deambule por territórios italianos, La pizzeria di Rebelatto tem a melhor pizza Margherita que as minhas papilas gustativas já tiveram o prazer de conhecer, a um preço que se tornou rapidamente BFF da carteira.

Mas, talvez mais do que o palato, é a filosofia francesa que traz uma lufada de ar fresco à cozinha. A comida não é combustível, não é aquecedor, não é um pretexto. É um prazer, uma celebração, um culto. Não nos encostamos ao balcão a comer uma fatia de pão com queijo, já com um pé na saída porque a vida está lá fora. Em Paris, vê-se a vida passar das esplanadas das brasseries, com um copo de vinho meio bebido. Adia-se o mundo para depois. Come-se pouco, devagar, com um método que se guia só e apenas pela satisfação do desejo.

A tudo isto, junta-se a presença constante da Nutella (barrada entre um crepe e fatias de banana, à meia-noite no Trocadéro), e temos um felizes para sempre.

Eu e Paris.






(quanto à batalha Pierre Hermé vs. Ladurée, os primeiros ganham em sabor, os segundos em textura. Gosto de empates assim)























terça-feira, 29 de outubro de 2013

Le cliché, ou uma carta de amor a Paris



Sou uma miúda que gosta de clichés. Gosto de comédias românticas, de jantares à luz das velas, de bombons. Gosto de música comercial, de vestidos Valentino, de ténis Converse. E gosto de Paris.

Bolas, gosto mesmo de Paris. Dos cafés, das brasseries, das cadeiras de verga viradas para a rua, como se não quiséssemos fazer nada de produtivo da vida enquanto falamos dos outros e bebemos vinho tinto.
Gosto dos croissants, das baguettes, dos macarons e dos bolos demasiado enfeitados. Gosto da palavra "merde", gosto dos cartazes de cinema nacional espalhados a cada esquina, gosto dos contrabandistas que vendem miniaturas da Torre Eiffel.
Gosto dos passeios lisos, da arquitetura fenomenal, das centenas de revistas de Moda meticulosamente dispostas na Colette. Gosto daquela senhora de vestido Armani e flatforms nos pés, parada a fumar à porta do escritório. Gosto das duas amigas com casacos MaxMara que entram para lanchar numa boulangerie que ainda não é cool.

Gosto do cheiro a comida, da história, das montras. Gosto de morar longe, e poder namorá-la à distância. E se gostar de Paris - e de todos esses clichés - faz de mim uma miúda aborrecida, c'est la vie.