Docas, maio de 2013.
Eram viciados em ser, em estar. Na embriaguez sôfrega de quem se apaixona deixou de haver tecnologia, esqueceram-se as redes sociais, apagaram-se as réstias de tempo e espaço que levantam o véu da contemporaneidade.
Ficaram só os vícios. Não o do tabaco, o do vinho, o do gin, o da cerveja ou o da coca. Esses foram-se com as chuvas de um inverno que deixou de ser frio. Ficaram os vícios da carne, do consumo mútuo, do negar de uma existência do exterior. Esqueceram-se dias e noites. Deixaram-se os vícios distraídos e os intencionais. Naqueles anos, os primeiros, queimaram as pontes com o exterior e eliminaram-se um ao outro, sem olhar a consequências, sem saciar os beijos.
E assim ficaram. Os vícios. Em ser, em estar. Em acabar.



