Dar jantares é complicado. Aliás, dar bons jantares é complicado. Mesmo que o ambiente seja controlado - entre quatro paredes, vá -, os anexos dependentes requerem tanto cuidado como um recém-nascido com cólicas. E há certas coisas a ter em conta.
Os convidados. Têm alergias alimentares? São só esquisitos? Nunca trazem um bom vinho? São dos que criticam o menu? Sabem conversar ou é melhor treinar assunto antes? São insuportáveis? (neste último caso, talvez seja melhor repensar a questão do convite).
O prato. É demorado? É funcional? É um crowd pleaser? Vai ao forno? (eu sei ligar o forno?) Comida de conforto ou cenas gourmet com nomes estranhos?
A sobremesa. Esqueçam, não é opcional.
A loiça. Não posso mesmo usar loiça de plástico? Vou contratar uma empregada só para o after-party? Vou entrar em negação até que a loiça esteja num estado de sujidade tão decrépito que tenha de a deitar fora?
O entretenimento. Cartas? Karaoke? Trash talk? Se o dia seguinte é laboral, quantas garrafas de vinho posso abrir? Aguentam bem a ressaca? Lidam bem com humilhação pública?
Acho que podia continuar por mais umas quantas horas - afinal, nem cheguei à parte de "quem traz o quê?" -, mas o ponto fulcral da questão é que a J. dá os melhores jantares do mundo inteiro, porque nasceu com uma espécie de checklist inata de #coisasfofinhas. Não é para quem quer, é para quem pode.
