Se eu soubesse não tinha subido a rua, não tinha rido da calçada, não tinha olhado para a cidade.
Se eu soubesse tinha-te fechado a porta e tinha-te fechado as mãos e tinha-te fechado a alma.
Mas fechei-te só os olhos e pedi-te para ficar.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Terminal
Vais fazer o céu fugir e a Terra desabar.Vais sugar o ar e abrir-me o chão.Vais dar-me um murro no estômago sem fazer curativo. Vais fingir que não é nada e acenar com um abraço finito. Vais matar as cartas e apagar com ácido o código postal. Vais fazer promessas.
Vais.
Não vás.
Vais.
Não vás.
domingo, 25 de maio de 2014
terça-feira, 20 de maio de 2014
Anulação.
[Baleal, julho de 2012]
Descomplicas-me. Calas-me quando te falo em dor e anulas-me. Pedi-te que me ferisses e riste-te do absurdo. A miséria não era para ti e eu fiquei com ela toda.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Idade dos porquês
Quando chegaste nem te perguntei porquê. Aceitei que trouxesses na bagagem os nossos livros por escrever, as nossas histórias por contar, as nossas vidas por morrer. Sabia que não o farias - tu não (me) escreves - mas deixei-te ficar. E deixei-te voltar. E nem te perguntei porquê.
terça-feira, 13 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
Veiros
[Veiros, 12 de abril de 2014]
Sobrevives à pasmaceira crónica na promessa dos corpos que te esperam e convences-te que sim na garantia do não. E fazes filmes. E foges. E não dormes e não comes e não respiras e não vives até acabar.
E acabou.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Mais amor, por favor.
que dói.
que mortifica.
que rasga.
que parte.
que sufoca.
que desnorteia.
que implode.
que consome.
que destrói.
que enlouquece.
que é tão bom.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Leis da atração.
[o amor não é para aqui chamado. mas este estava - como tantos outros - esperneado numa noite de Lisboa]
Quem escreveu as leis da atração é atrasado mental.
Quem se esqueceu de inserir nelas o bom timing é sádico.
Quem se lembrou de lhes juntar a inconveniência bebe humor negro ao pequeno-almoço.
Quem as fez dilacerantes nunca as sentiu na pele.
Quem achou que não nos fazia dar em loucos não sabe o que é a sanidade.
Quem lhes juntou o ardor não conhece o inferno.
Quem as perpetuou foi um pseudo-Bukowski.
Quem teve de levar com elas fui eu.
Que se lixem.
segunda-feira, 3 de março de 2014
Os bastidores
Em contagem decrescente para a ModaLisboa e o PortugalFashion, entra-se no baú de umas quantas edições pintadas no lugar onde a magia acontece: os bastidores.
Criaturas anormalmente perfeitas passeiam-se no seu habitat natural sem precisar de expositores, deixando bem claro que flutuam ligeiramente acima dos comuns mortais. O passo apressado de quem faz magia com pincéis é instigado pelos gritos lacónicos de quem tem prazos a cumprir. São trocas e baldrocas, confianças e paixões platónicas. São rotinas intensas e catarses fáceis, num mundo que não existiria se não fosse esporádico.
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