segunda-feira, 16 de junho de 2014

Indiferença.


Foi de lançar as mãos ao céu. De gritar ao desespero. De amaldiçoar a crença.
Esmurrar o hoje para sentir o agora. Declarar guerra à indiferença. Intoxicar a dormência. Beber para lembrar. Magoar para respirar.
Fazer de tudo para sentir e acabar num nada ainda maior - naquele que seria o meu pesadelo se eu conseguisse finalmente dormir.

domingo, 15 de junho de 2014

E depois morri no degredo da implosão.
(Quando chegares traz-me de volta).

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Lembras-te de quando não respirávamos? De quando a noite nos mostrava os medos e os pesadelos éramos nós?
Lembras-te de quando não dormíamos? De quando a claridade chegava cedo demais e a realidade estupidificava as facas lançadas entre os beijos?
Lembras-te de quando não vivíamos? De quando nos tapávamos com a dor e nos consumíamos e nos destruíamos?

Lembras-te do quanto eu gostava?

Aeroporto

Quando as gargalhadas eram convulsões. Quando os olhos não estavam mortos. Quando a felicidade se bebia. Quando a saudade não voava. Quando o medo não ardia. Quando os dias não sangravam. Quando a dor se enterrava. Quando ela estava aqui.
Volta já.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Quando voltei a pegar no caderno que já não me conhecia o toque, escrevi até a mão sangrar.
Foi preciso que os olhos morressem e que o pulso cessasse para que as veias me escorressem tinta.
Foi preciso que as janelas se apagassem, que os cigarros se queimassem, que as vontades que fossem; foi preciso querer não existir para que as letras voltassem a ser o ar que não quero respirar.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Quando vieres

Diz-me o que sou, com esse teu jeito de acertar no erro.
Traz-me os beijos envenenados pelo ontem que nunca te acabou.
Conta-me os desejos repetidos, as vontades dos corpos e os tormentos das distâncias.
Fala-me das portas que tens escancaradas, das mentiras que tens concretizadas, das juras que morrerás antes de cumprir.
Lembra-me dos nossos anos roubados, dos desencontros planeados, das noites em que o mar nos fechou.
Mostra-me o teu fim porque já conheces o meu.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Pretérito Imperfeito

Éramos trapos.
Desfeitos e inúteis e sem fim. Sem rótulos e sem prazos de validade. Sem luz e sem sossego.
Éramos sujos. Sem mundo e sem morada. Sem rumo e sem sentido. Sem direito e sem propósito.
Éramos pretérito imperfeito. Sem nascer e sem ser e sem morrer.
Éramos nada e éramos velhos e éramos condenados e éramos uma frase que nunca conheceu pontuação.

Éramos.

domingo, 8 de junho de 2014

Entre-tantos


Enquanto lhe rasgava a pele. Lhe esfolava a alma.

Sem nunca lhe tocar.

Terapia.


Precisava de te beber o cinzento, de te ouvir o frio, de te cheirar a terra encharcada. Precisava de te injetar nas veias mortas e de te chorar a distância. Precisava de te ver as gentes, de te tocar as casas, de te sentir na dormência onde durmo agora.

Mogwai


Até que a vida se esvaiu em noite e o pulso se apagou.