sexta-feira, 27 de junho de 2014


Talvez com a esperança vã de conseguir mudar o desenlace que já escrevemos ou com o desejo incontrolável de matar o silêncio perpétuo. 

(quero apunhalar todas as cartas que não me deixam dormir).

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Libertinagem

Que se lixe a liberdade quando as correntes do vício sabem tão bem.
Algemados a cadeiras de carne, sorrimos quando a destruição se torna real, quando as veias se dilatam e o coração explode, quando a dor quase que mata.
Agarrados ao ciclo, com desdém de quem usa lentes cor-de-rosa e máscaras de sorriso. Sem respeito por quem não sabe o que são insónias ou pesadelos ou lágrimas.
Dependentes da saudade porque sabemos que nunca vamos chegar ao futuro.

quarta-feira, 25 de junho de 2014


Menti-me quando gritei que sabes a pouco.
Podemos matar o tempo?

Putos.

Brincávamos com o "Era uma vez".
Na inconsciência abençoada deitávamos tudo ao ar e espalhávamos o que somos - o que fomos - em cima da mesa.
E vivíamos. Como se o amanhã fosse uma miragem, como se o futuro fosse ontem, como se cada átomo se esfumasse se o amor morresse.
O amor (sempre a merda do amor) que nem sequer se dignava a não ser cruel, que jogava com as lágrimas e se tornava no Monopólio que não conseguíamos ganhar.
E o quanto adorávamos. Aquelas partidas de desgosto e faz de conta, aquela falta de noção mascarada de juventude, aquele desespero que gritava


"Por favor, parte-me o coração".

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Caderneta de cromos

Folheei-te a caderneta; vi que era igual à minha.
Quase como se fôssemos putos - com uma ânsia sôfrega de significar uma coleção de vazios.
São páginas e páginas de corações partidos e nenhum deles se quer colar.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

em ácidos.

Quando pensei que tinha saudades de casa fizeste-me beber-te.
- Foste o ácido com que eu mais gostei de me queimar.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Indiferença.


Foi de lançar as mãos ao céu. De gritar ao desespero. De amaldiçoar a crença.
Esmurrar o hoje para sentir o agora. Declarar guerra à indiferença. Intoxicar a dormência. Beber para lembrar. Magoar para respirar.
Fazer de tudo para sentir e acabar num nada ainda maior - naquele que seria o meu pesadelo se eu conseguisse finalmente dormir.

domingo, 15 de junho de 2014

E depois morri no degredo da implosão.
(Quando chegares traz-me de volta).

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Lembras-te de quando não respirávamos? De quando a noite nos mostrava os medos e os pesadelos éramos nós?
Lembras-te de quando não dormíamos? De quando a claridade chegava cedo demais e a realidade estupidificava as facas lançadas entre os beijos?
Lembras-te de quando não vivíamos? De quando nos tapávamos com a dor e nos consumíamos e nos destruíamos?

Lembras-te do quanto eu gostava?

Aeroporto

Quando as gargalhadas eram convulsões. Quando os olhos não estavam mortos. Quando a felicidade se bebia. Quando a saudade não voava. Quando o medo não ardia. Quando os dias não sangravam. Quando a dor se enterrava. Quando ela estava aqui.
Volta já.