Chegou um rasgo de felicidade quando a chuva começou a sorrir. Um lusco-fusco em que a inconsciência se embaciou com a perda da realidade e as lágrimas já não cantavam como ácido na pele.
Não te sei dizer quanto tempo durou. Nem te sei dizer se as horas se esfumaram ou se os segundos se arrastaram. Não te sei dizer se foram minutos ou uma noite inteira. Tal como não te sei dizer o que preciso de te gritar.
Sei-te dizer que naquela piazza os erros escorreram pelos passeios imaculados. Sei-te dizer que me perdi na alegria insana do esquecimento temporário. Sei-te dizer que me abraçaste os paradoxos como sempre - como d'antes. Sei-te dizer que são estes segredos infestos que um dia vão acabar comigo.
Não te sei dizer mais nada.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
febril
Estás-me na roupa e estás-me na pele e estás-me nos olhos e estás-me nos lábios. És-me os pesadelos, os desvairos conscientes e os passeios da noção que eu não controlo. Estás-me no peito como uma ferida que não conhece a cura. Estás-me em todas as músicas e todos os filmes e todos os poemas (estás-me na raiz da raiz).
Só quero conhecer um pedaço de mim onde não mores e mudar-me para lá.
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
tudo bem.
Está tudo bem.
Ainda que já seja de noite outra vez e nada tenha sido corrompido pelo desejo. Ainda que o sono esteja vazio e os pesadelos cheios. Ainda que a fala se tenha calado e os lençóis se fiquem pelo singular. Ainda que os corpos se queimem pela distância. Ainda que a coragem se fique pela falta.
Está tudo bem.
Ainda que já seja de noite outra vez e nada tenha sido corrompido pelo desejo. Ainda que o sono esteja vazio e os pesadelos cheios. Ainda que a fala se tenha calado e os lençóis se fiquem pelo singular. Ainda que os corpos se queimem pela distância. Ainda que a coragem se fique pela falta.
Está tudo bem.
domingo, 10 de agosto de 2014
fragmentos
Reconheceram-se no sal das lágrimas. Enterraram-se nos lençóis. Consumiram-se nos beijos. Queimaram-se na dependência. Riram-se dos vazios. Viram países - e cidades, e aldeias; e barcos e comboios e carros e aviões. Abraçaram-se à distância. Romperam multidões com os olhos. Deram as mãos às escondidas. Destruíram-se de repente. Amaram-se até ao fim.
Mas nada. Nunca nada aos poucos. Nunca nada pela metade.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
O custo.
Mas custou.
Meu, se custou.
Porque obrigou-me a parar de escrever - tirou-me o objeto das letras - e deixou-me num vazio do qual ainda não sei sair.
Roubou-me o sentido (agora vou aprender a ser sem ti) e escondeu-me o norte.
Foi um delírio, eu sei que foi. Arrancado pelo conforto romanceado da facilidade. Ficar no mesmo sítio sempre foi mais fácil.
Mas estou finalmente a falar no tempo verbal certo e a negar as recaídas e a sair da tortura a que gostava de chamar amor.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
do bairro.
Desciam a calçada ao ritmo das memórias.
As princesas, de contos paralelos e fábulas aleatórias, com os passados sujos a rir por entre os becos imundos.
Do Bairro. Onde tatuaram as paredes com os erros que gostaram de cometer. Onde trocaram o consciente pela oportunidade e regatearam o juízo por uma boa história.
Essas histórias que se trocam agora por debaixo de imperiais, em confidências de adolescentes que vivem por amor e que sabem que não há nada melhor que escrever para quem já viveu as mesmas páginas.
terça-feira, 29 de julho de 2014
de parar.
Da beleza da tortura e do conforto da dor.
Do fazer do presente um espelho retrovisor e do futuro um jogo de espera.
Do ouvir os mesmos sons, do ver os mesmos filmes, do dormir o mesmo amor.
Do escrever letras iguais à espera de um resultado diferente, do correr as ruas sem os abraços.
De viver no tempo verbal errado.
Da falta de coragem.
Da violência de parar com isto tudo.
E respirar.
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