Espero que a vida me deixe. Que as mãos não me sintam. Que o corpo não me doa. Até lá, peço-te só que me deixes quebrar as promessas porque as palavras que para ti não são nada são tudo o que me faz acordar.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Desliga-me o cronómetro deste tempo que não passa. É absurdo que os beijos morram na praia e as vozes se afoguem neste rio de dias que apagámos do calendário.
E esta justiça, também. Que não pede tradução. Só pede licença e escusa-se de entrar. Chega quando quer, desaparece sem quando nem onde. São negócios da China, estes onde nos enterramos até ao pescoço.
Que se foda, está tudo bem.
Nós aqui. No meio do nada. E eu aqui, sem cadernos para escrever.
E esta justiça, também. Que não pede tradução. Só pede licença e escusa-se de entrar. Chega quando quer, desaparece sem quando nem onde. São negócios da China, estes onde nos enterramos até ao pescoço.
Que se foda, está tudo bem.
Nós aqui. No meio do nada. E eu aqui, sem cadernos para escrever.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
d'outono
É das coisas bonitas de outono. Bonitas e leves e frias. De lá longe, do que não é amor e entra sem pedir. De uma terra cheia de almas vazias. Mas é do outono - só pode ser do outono - de que se riem os sonhos e se semeia a insanidade.
Foge-se ao vulgo. E sentem-se as trovoadas no estômago, as tempestades no rosto e as nuvens no peito. Cheira a novo - respira-se de novo - e enterram-se os machados. Obrigada por me reacenderes o fôlego, por me distraíres da luz apagada, por me ocupares a noite. És uma coisa bonita de outono.
Foge-se ao vulgo. E sentem-se as trovoadas no estômago, as tempestades no rosto e as nuvens no peito. Cheira a novo - respira-se de novo - e enterram-se os machados. Obrigada por me reacenderes o fôlego, por me distraíres da luz apagada, por me ocupares a noite. És uma coisa bonita de outono.
sábado, 1 de novembro de 2014
Quando o tumulto pára, és sem chegar. Falas sem ruído. Existes sem nome. Quem me dera ser como eles, os leves de espírito e pobres de dor, os de coração parado e os que dão a mão ao nada. Quem me dera que o que me enche a alma morresse, também. Quem me dera que os becos tivessem saída e que os unicórnios fossem reais e que as palavras fossem ditas. Mas há coisas que não (me) acontecem. Tu não (me) aconteces.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
As saudades são uma coisa feia. Não respiram pelo grande,
pelo nobre, pelo vasto. Prendem-se ao pequenino e ao irrisório num jogo fútil
em que o poder está do lado de quem não gosta mais. São picuinhas e são sujas. E
subsistem desgraçadamente nos acessórios. Como a forma de pegar na garrafa de
cerveja. Ou a maneira estúpida de fumar. Ou o jeito de despentear o cabelo para
não estar demasiado arranjado. Ou a gargalhada doce. Ou a cara emaranhada de
criança. Ou os olhos inchados das lágrimas que doíam mais que as minhas. Ou os
caminhos perdidos. Ou o cheiro das mãos. Ou o conceito de casa. Ou as músicas
que deixaram de ter seis minutos e quarenta e três segundos para durarem uma
vida inteira.
domingo, 5 de outubro de 2014
Deixei a vida no quarto. Trouxe o vinho e os cigarros e o papel e a caneta. Deixei-te lá também porque hoje não quero pesadelos.
O chão está encharcado e a alma está cheia. A rua está morta e já não sei se é ela que se ri para mim sou se as palavras escritas fazem eco.
Lá vêm as insónias, com os tanques de guerra carregados. Lá vem a noite branca da chuva demitida, da loucura aplaudida, da cidade que me abraça o coração com promessas de brandura temporária. Não faz sentido. E vou-me arrepender disto amanhã.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Lembro-me de querer ter saudades. E lembro-me de, quando me esqueci que trabalhavam melhor que a faca e o sangue e o fogo, encolher os ombros e rir-me, como se fossem uma desculpa frívola para olhos fracos.
Lembro-me que, quando invertemos os espaços e me deste a conhecer o vazio, quis tapá-lo com os álbuns de fotografias onde - achava eu - me tinhas encerrado a alma. Enterrei-me em lágrimas de fumo e em mãos que só queriam ser tocadas pela pele a ferver. Em lábios que não se cansam e em peitos que não sentem nada a não ser a falta. A falta como uma verdade perpétua que não é quebrada pelos beijos nem pelos lençóis nem pelas palavras. A falta que - ao contrário das saudades - não é o princípio de nada. Nem o fim de tudo.
Lembro-me que, quando invertemos os espaços e me deste a conhecer o vazio, quis tapá-lo com os álbuns de fotografias onde - achava eu - me tinhas encerrado a alma. Enterrei-me em lágrimas de fumo e em mãos que só queriam ser tocadas pela pele a ferver. Em lábios que não se cansam e em peitos que não sentem nada a não ser a falta. A falta como uma verdade perpétua que não é quebrada pelos beijos nem pelos lençóis nem pelas palavras. A falta que - ao contrário das saudades - não é o princípio de nada. Nem o fim de tudo.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
fugas
Fugimos num dia de teto cinzento. Fugimos sem horas marcadas nem promessas escritas. Fugimos sem mapa.
Esquecemos a prisão daquela colina e caímos na terra em que os pássaros nos assobiavam a culpa. Peguei-te na vida e fi-la minha. Levei-te às janelas rasgadas com vista para o Tejo, levei-te às praças de muralhas humanas, levei-te aos antros imaculados que ainda me abraçavam em paz.
Desenhei-te as ruas na palma da mão, só para as esqueceres depois. Mostrei-te a cidade que não era minha. Nem ela, nem tu.
Esquecemos a prisão daquela colina e caímos na terra em que os pássaros nos assobiavam a culpa. Peguei-te na vida e fi-la minha. Levei-te às janelas rasgadas com vista para o Tejo, levei-te às praças de muralhas humanas, levei-te aos antros imaculados que ainda me abraçavam em paz.
Desenhei-te as ruas na palma da mão, só para as esqueceres depois. Mostrei-te a cidade que não era minha. Nem ela, nem tu.
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